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domingo, 10 de fevereiro de 2008

Berço de talentos

Publicado no jornal Tribuna da Imprensa em 23/24 de setembro de 2006
Orlando Duarte
O sr. José Guimarães, fundador do time Pequeninos do Jockey, realizou um trabalho acima do esportivo com meninos pobres de uma vasta região. O número de jogadores revelados nesse pequeno clube foi enorme. Há amadorismo e falta dinheiro, mas isso não abate os voluntários dirigentes, eles sempre dizem que ao revelar Zé Roberto, hoje no Santos, Julio Batista, hoje na Inglaterra, e muitos outros, além de levar os garotos aos torneios internacionais, conquistando 170 títulos, a compensação já veio.
É bom lembrar que apesar do nome o Jockey Clube de São Paulo nunca teve nenhuma relação com esse time. O Jockey deixou que o time treinasse numa de suas dependências. Devidamente convidado, fui algumas vezes aos torneios festivos do Guimarães, e olhava-o com admiração, pensando que o mundo seria melhor com muitos Guimarães. Vez por outra me lembro dele.

Um poema na parede

Publicada no jornal O Estado de São Paulo, em 24 de setembro de 1995

Armando Nogueira

Ganhei uma camisa do Pequeninos do Jockey. Não é pra vestir, é pra guardar. É troféu. Vem autografada por mais de 100 garotos que aprendem a jogar bola pela mão do Velho Guima, como é chamado no clube o Guimarães. Até outro dia, eu não sabia quem era o Guimarães. Agora, já sei tudo sobre o homem. Ele começou a vida como cavalariço do Jockey Clube de São Paulo. Hoje, ensina futebol e dá lições de vida a centenas de meninos pobres, no Clube Pequeninos do Jockey. Só pode ser um bom sujeito esse Guimarães.
Leio, numa revista americana de esportes, longa reportagem sobre um jogador de futebol americano, Drew Bledsoe. O pai, Mac, treinador-assistente de um time perto de Washington, me lembra a história do Guimarães. Uma vida cuidando da sorte de crianças.
Na sala de jantar dos Bledsoe, há uma placa pendurada na parede. Na placa, um pequeno poema que diz assim:

Daqui a 100 anos, nenhuma importância terá
A marca do carro que eu dirigia
Nem a casa em que vivia
Nem quanto dinheiro eu tinha no banco
Nem se minhas roupas eram bonitas ou feias.
Mas o mundo, certamente, será um pouco melhor
Porque eu fui importante na vida de uma criança.

O Poema cabe direitinho na parede da sala de jantar do Guimarães.